No mais íntimo do ser, nada acontece. Só há paz, silêncio. Na periferia, tudo acontece. O eterno fenômeno do vai e vem, acontecendo e des-acontecendo. A noite sucede o dia e vice-versa. A única certeza é a diferença: sempre o novo, sempre outro. A primavera, o verão, o outono, o inverno, sucessão de eventos, experiências. Tudo sendo percebido. E aquilo que é percebido não é o que percebe. Vem o amor e vai, vem o medo e vai; passa um pássaro, passa o passado, passam nuvens e o céu permanece impassível, silencioso. Assim, um espelho vazio, o ser observa o eterno movimento dos ventos e das velas. Um em tudo.
Tudo o que acontece são reflexos no espelho da consciência que você é. Você é um espelho vazio. A consciência, aquilo que você é, é um espelho. A partir de uma breve investigação, pode-se realizar que a natureza do espelho é incorruptível. Há uma tese que assume que o espelho se abale, e você a aceita em ignorância. Mas, na verdade, isso não acontece. O espelho permanece incólume, sem nenhuma identificação em relação à poeira ou qualquer objeto diante dele.